quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Projeto Transformar da UME Mário Moreira promove a autonomia dos alunos e renova o currículo do Fundamental II

A reorganização da escola, o currículo diferenciado, o professor mediador e a aplicação de um roteiro a ser cumprido pelo aluno são alguns dos pontos diferenciais do Projeto Transformar, aplicado na UME Mário de Oliveira Moreira, no Vale Verde. Desde 2009, quando a escola passou a ter classes de Ensino Fundamental II, o projeto vem sendo desenvolvido pela equipe escolar e gerando bons resultados, de acordo com a avaliação da própria comunidade.

No mês passado, o Transformar foi apresentado no 2º Encontro Município que Educa, realizado na cidade de Garça, pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime/São Paulo), gerando muitos elogios das cidades participantes à direção da escola.

Localizada num bairro afastado do centro de Cubatão, a UME Mário de Oliveira atende alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental e procura manter um diálogo bastante próximo com os alunos e demais membros da comunidade escolar. Segundo a direção da escola, esse é um dos fatores que contribui muito para o andamento do Projeto. “Aqui conhecemos as crianças pelo nome e a relação da escola com o aluno é diferenciada das demais. Isso facilita nosso trabalho”, garante a diretora Fabíola Teixeira.

Segundo ela, com anuência da Secretaria Municipal de Educação (Seduc), a escola vem reorganizando o currículo escolar do Ensino Fundamental II, principalmente nas questões que envolvem o tempo, o espaço e os conteúdos das aulas, que agora são interdisciplinares. Para isso, foi criada a figura do professor mediador, um profissional com formação em Pedagogia, que auxilia o trabalho do professor especialista e orienta o aprendizado do aluno.

“Cada ano do Ensino Fundamental II tem um professor mediador que facilita o processo de interdisciplinaridade, promove um olhar mais integral do aluno e auxilia no processo avaliativo, que fica menos fragmentado e passa a ser construído coletivamente por meio de reflexões sobre o que, como, quando e por que ensinar”, explica Fabíola.

De acordo com a diretora, o objetivo do Projeto Transformar é repensar os tempos e modos de aprendizagem a fim de que o aluno adquira autonomia e responsabilidade por seus estudos. Outro elemento que contribui para essa prática é o professor mediador. “O mediador acompanha as aulas, planeja junto com o professor de Área, elabora atividades voltadas para a sistematização de hábitos de estudo junto aos alunos, acompanha e orienta trabalhos, realiza intervenções de autoavaliação, enfim, é um parceiro do professor especialista e um promotor da autonomia dos alunos”, garante.

O trabalho diferenciado da escola começa pelo currículo, organizado em módulos de projetos temáticos, com eixos de estudos que se desenvolvem a cada três anos. São eles, Identidade e Cultura (1º, 4º e 7º anos), Espaço e Meio Ambiente (2º,5º e 8º anos) e Responsabilidade Social (3º, 6º e 9º anos). A estrutura do trabalho também ganhou novos elementos. As aulas regulares têm momentos estruturados que garantem a sistematização de uma prática construída coletivamente e em diferentes disciplinas que se interligam. “Com isso, promovemos a construção da autonomia do aluno, estimulamos os processos de estudo e de avaliação e ainda promovemos a criação de hábitos de estudo, o senso de responsabilidade e uma forma diferenciada de trabalhar em grupo”, explica Fabíola.

Roteiro – Um ponto do Projeto Transformar que merece destaque é a nova metodologia de trabalho, composta por aulas de roteiro, as aulas de aprofundamento e as oficinas temáticas. Nas aulas de roteiro, que acontecem sempre na última aula do dia, o aluno aprende a ter responsabilidade sobre seus estudos. “Nesse momento do dia, o professor orienta o estudante a gerenciar seu tempo e forma de estudo, selecionando as atividades a serem realizadas”, explica a diretora.

Já nas aulas de aprofundamento, há uma intensificação dos temas tratados e de assuntos pertinentes, por meio de aulas específicas das disciplinas do currículo. E as oficinas temáticas são um momento de atuação conjunta de dois ou mais professores da mesma disciplina, que propõem ao grupo atividades pensadas coletivamente.

Fabíola Teixeira revela que o sucesso do trabalho é fruto de discussões coletivas, avaliações constantes realizadas pelos membros da equipe escolar e da comunidade, sempre de acordo com os objetivos educacionais sistematizados pelo Governo Federal e pela Seduc. “Acreditamos estar apenas começando, por isso nos consideramos uma ‘escola aprendente’, como diz Izabel Alarcão. Buscamos explorar nossas potencialidades, acreditando e investindo nas pessoas e nos processos, aprendendo com os erros, trabalhando com afinco e compromisso para oferecermos um trabalho educativo de qualidade na escola pública”, resume.

Texto: Cecília Beu (MTb 22.332)